Google (…) é uma extensão literal da nossa mente

NIEMAN LAB
09.set.2018 (domingo) – 4h30

Por Benjamin Curtis*

Estamos perdendo nossas mentes para o Google. Depois de 20 anos, os produtos do Google se integraram em nossa vida cotidiana, alterando a própria estrutura de nossa arquitetura cognitiva, e como consequência nossas mentes expandiram-se para o ciberespaço. Isso não é ficção científica, mas uma implicação do que é conhecido como a “tese da mente estendida”, uma visão amplamente aceita na filosofia, psicologia e neurociência.

Não se enganem sobre isso: esta é uma mudança sísmica na psicologia humana, provavelmente a maior que já tivemos que enfrentar, e que está ocorrendo com uma rapidez de tirar o fôlego –o Google, afinal, completa apenas 20 anos de idade neste mês. Mas, embora essa mudança tenha algumas boas conseqüências, há algumas questões profundamente preocupantes que precisamos urgentemente enfrentar.

Grande parte da minha pesquisa abrange questões relacionadas à identidade pessoal, mente, neurociência e ética. E, a meu ver, à medida que aceitamos os recursos “personalizados” pela inteligência artificial do Google, cedemos cada vez mais nosso espaço cognitivo pessoal ao Google, e assim tanto a privacidade mental quanto a capacidade de pensar livremente são corrompidas. Além disso, começam a surgir evidências de que pode haver uma ligação entre o uso da tecnologia e problemas de saúde mental. Em outras palavras, não está claro que nossas mentes possam suportar o peso da extensão virtual. Talvez estejamos mesmo próximos do ponto de ruptura.

“Onde a mente pára e o resto do mundo começa?”

Essa foi a questão levantada em 1998 (coincidentemente o mesmo ano em que o Google foi lançado) por dois filósofos e cientistas cognitivos, Andy Clark e David Chalmers, em um artigo de jornal agora famoso, The Extended Mind. Antes de seu trabalho, a resposta padrão entre os cientistas era dizer que a mente parou nos limites da pele e do crânio (em resumo, os limites do cérebro e do sistema nervoso).

Mas Clark e Chalmers propuseram uma resposta mais radical. Eles argumentaram que, quando integramos coisas do ambiente externo em nossos processos de pensamento, essas coisas externas desempenham o mesmo papel cognitivo que nossos cérebros. Como resultado, eles são tão parte de nossas mentes quanto neurônios e sinapses. A discussão de Clark e Chalmers produziu debate, mas muitos outros especialistas na mente concordaram desde então.

NOSSAS MENTES ESTÃO LIGADAS AO GOOGLE

Clark e Chalmers estavam escrevendo antes do advento dos smartphones e da Internet 4G, e seus exemplos ilustrativos eram um tanto fantasiosos. Eles envolviam, por exemplo, um homem que integrava um notebook em sua vida cotidiana que servia como memória externa. Mas, como os trabalhos recentes deixaram claro, a tese da mente ampliada tem relação direta com nossa obsessão por smartphones e outros dispositivos conectados à web.

Cada vez mais nós estamos presos em smartphones desde a manhã até a noite. Usar os serviços do Google (mecanismo de pesquisa, calendário, mapas, documentos, assistente de fotos e assim por diante) tornou-se uma segunda natureza. Nossa integração cognitiva com o Google é uma realidade. Nossas mentes literalmente mentem em parte nos servidores do Google.

Mas isso importa? Importa. Por duas razões principais.

Primeiro, o Google não é uma mera ferramenta cognitiva passiva. As últimas atualizações do Google, alimentadas por inteligência artificial e machine learning, todas envolvem sugestões. O Google Maps não apenas nos informa como chegar aonde queremos ir (a pé, de carro ou de transporte público), mas agora nos oferece sugestões de local personalizadas que acha que nos interessam.

Google Assistente, sempre a apenas duas palavras de distância (“Ei, Google”), agora não apenas nos fornece informações rápidas, mas pode até mesmo marcar compromissos para nós e fazer reservas em restaurantes.

O Gmail agora faz sugestões sobre o que queremos digitar. E o Google Notícias empurra histórias que acha que são pessoalmente relevantes para nós. Porém, tudo isso elimina a necessidade de pensar e tomar decisões por nós mesmos. O Google –mais uma vez enfatizo, literalmente– preenche as lacunas em nossos processos cognitivos e preenche lacunas em nossas mentes. E assim a privacidade mental e a capacidade de pensar livremente são ambas corroídas.

VÍCIO OU INTEGRAÇÃO?

Segundo, não parece bom para nossas mentes se espalhar pela internet. Um motivo de preocupação crescente é o chamado “vício em smartphones”, que já não é um problema incomum. De acordo com relatos recentes, o usuário médio de smartphones do Reino Unido verifica seu telefone a cada 12 minutos. Há toda uma série de efeitos psicológicos ruins que isso pode acarretar e que estamos apenas começando a observar, sendo a depressão e a ansiedade os dois mais proeminentes.

Mas a palavra “vício” aqui, na minha opinião, é apenas outra palavra para a integração que mencionei acima. A razão pela qual tantos de nós achamos tão difícil não pegar em nossos smartphones, para mim, é que integramos seu uso nos processos cognitivos diários. Nós literalmente pensamos ao usá-los e, por isso, não é de admirar que seja difícil parar. Ter o smartphone de alguém repentinamente retirado é como uma lobotomia. Em vez disso, para romper o vício/integração e recuperar nossa saúde mental, precisamos aprender a pensar
de maneira diferente e a reivindicar nossas mentes.

*Benjamin Curtis é professor de filosofia e ética na Universidade de Nottingham Trent. Este artigo foi originalmente publicado no The Conversation.
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O texto foi traduzido por Victor Schneider. Leia o texto original em inglês.
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Fonte: https://www.poder360.com.br

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Oficina “A Mágica de Contar Histórias” com Rodrigo Campaneli

Oficina “A Mágica de Contar Histórias” com Rodrigo Campaneli
Olá! Depois de um período de apresentações o Grupo Vira-Lata de Teatro no mês de setembro vai oferecer nossa primeira oficina de Contação de História. Não fique de fora! Venha participar e aprender mais sobre esse universo mágico, lúdico e realista de contar histórias.
OBJETIVO: 

Mostrar técnicas e recursos para encantar ouvintes de todas as idades. Finalizando com laboratório onde os participantes podem vivenciar a arte de contar histórias.

– Técnicas para contar histórias
– Recursos para contar histórias
– Escolha do repertório
– Laboratório de histórias

#Dia 22 de setembro de 2018 (sábado)
das 14 às 17:30 horas

Link para inscrição: https://goo.gl/forms/hskLokhBhq1OEBPC2

4ª Bienal do Graffiti – SP

Dezenas de murais, pinturas, esculturas e instalações transformarão o Memorial em uma enorme galeria, levando uma experiência única ao público que irá desfrutar de diferentes estilos, técnicas e conhecer a história dessa cultura. Serão artistas inéditos da cidade de São Paulo, 20 representantes de outros estados e cerca de 10 nomes internacionais na 4ª edição da Bienal do Graffiti.

O evento também contará com diversas atividades de entretenimento como um lounge inspirador, pátio de multifuncional, mostra de vídeos educativos, mesa de diálogo, oficinas, performances e muitas outras surpresas para os criativos e amantes da arte urbana.

Toda a curadoria da Graffiti Fine Art é de Binho Ribeiro, que faz graffiti desde 1984, pioneiro do movimento no Brasil. Ele conta que a curadoria acontece durante o período entre as bienais e que analisa os representantes de diferentes estilos e escolas, tendo como critério o nível técnico, conceitual e a história do artista como grande representante de sua região. Entre os confirmados estão: Antisa, Erny (NYC), Ceet (França), Atomik (Miami), Moh (Ghana), Alex Senna, Mari Pavanello, Obed, Apolo Torres, Kueia, Tito Ferrara, Chivitz, Ananda Nahu, entre outros.

Foram cerca de 60 mil visitantes nas três versões anteriores da Bienal, mas Binho acredita que o fácil acesso ao Memorial da América Latina levará por volta de 200 mil pessoas. A primeira GFA aconteceu no MUBE e logo beio a Bienal. Alí Binho e a Diretora Renata Junqueira criaram um formato onde a arte de rua possa estar dentro do museu sem perder suas características e ao mesmo tempo questionar o conceito do FINE ART sob a visão dos artista de cada época.

Fonte: https://zupi.co/

Incríveis Criaturas by Theo Jansen

Se depender de seu criador, os chamados Bichos da Praia (Strandbeests) serão mais do que uma visão de algo do futuro

Você vai se encantar pelas criaturas de Theo Jansen. Há quase 30 anos o artista holandês trabalha com materiais diferentes, dando vida às coisas mais diferentes que saem de sua imaginação. Olhando de longe, parecem robôs automatizados, mas são exatamente o oposto disso.

Ao se moverem, fazem um som diferente, como o sopro de uma ventania em um bambuzal, ou o farfalhar de muitas folhas. É meio perturbador ver essas criaturas se movendo, como verdadeiros seres vivos. Seu único combustível é o vento, já que velas gigantes controlam as estruturas, o que possibilita que andem sozinhas, sem nenhuma fonte elétrica.

Para dar vida às suas esculturas cinéticas, Theo utiliza tubos de plástico que são os mesmos usados para envolver a fiação elétrica na Holanda. Tais tubos rígidos são trabalhos pelo artista para criar juntas, vértebras, pernas e braços de seus seresindependentes. Os Strandbeests, “Bichos da Praia”, em holandês, são todos batizados com nomes em latim, como animaris ordisanimaris bruchus e animaris omnia.

 

 

OS BICHOS DA PRAIA

O nome Bichos da Praia não é à toa. O criador tem o sonho de um dia poder soltar todas as suas criaturas em uma praia em Scheveningen, no litoral da Holanda, conhecida pelo nome de Praia do Silêncio. Este é um lugar afetivo para Theo, onde ele passou grande parte de sua infância. Hoje, os bichos fazem a alegria de crianças durante as férias, por um determinado período de tempo, quando Theo os coloca para andar.

beleza de seu trabalho está na pura mecânica. Ele, físico de formação, já trabalhou em diversos projetos, ajudando até mesmo a NASA em 2016 a desenvolver um robô para caminhar no planeta Vênus.

DO QUE SÃO FEITOS OS STRANDBEESTS?

Desde quando começou a projetar essas engenhocas, Theo já conquistou muitos avanços. Antes, elas eram mais pesadas e precisavam ser puxadas ou empurradas por mãos humanas. As de hoje, ao contrário, são feitas de material mais leve e são totalmente autônomas. Aliás, são até capazes de armazenar vento.

Com garrafas PET acopladas aos tubos de plástico, onde Theo diz que fica o “estômago” dos seus “animais”, é possível criar uma reserva de energia para ser usada em condições de pouco vento. Com esse mecanismo, as criaturas podem andar despreocupadas, pois nunca ficarão sem combustível.

O objetivo de Theo é que seus bichos da praia possam “sobreviver” sem a sua ajuda. Ele, que se diz viciado nesse tipo de material com o qual trabalha, enxerga suas criações como seres com vida, que conseguem caminhar sozinhos e até mesmo desviar de obstáculos perigosos para eles, como a água.

Isso é possível graças a um tubo que suga ar enquanto a estrutura se move pela areia. A partir do momento que ela chega na água, o tubo encontra resistência ao sugar o líquido e faz com que a estrutura mude sua direção, voltando a caminhar pela areia.

Será que um dias os Strandbeests serão vistos como algo comum em nosso mundo, apenas andando por aí? Não sabemos ainda, mas não podemos negar que são de fato fascinantes.

Saiba mais pelo site de Theo Jansen.

Como Tim Burton ilustraria os personagens da Disney

Já vimos os personagens da Disney reinventados de inúmeras maneiras. No entanto, o criativo russo Andrew Tarusov adotou uma abordagem que responde a uma pergunta simples: “E se Tim Burton dirigisse os filmes clássicos da Disney?”

Dando a cada ilustração uma reviravolta absurda, Tarusov transforma os personagens adoráveis de contos de fadas em versões assombrosas e semelhantes a cadáveres. Branca de Neve é descrita como bruxa malvada, com amigos como aranhas no lugar de animais fofos da floresta; a Pequena Sereia é vista em uma lagoa escura; a Bela Adormecida enfrenta uma realidade não tão feliz pra sempre.

As matizes brilhantes e alegres da Disney agora são transformadas em paletas de cores escuras e os cenários antes encantados viram cenas noturnas e nebulosas.

Fonte: https://zupi.co