PARA QUE SERVE A ARTE NA ESCOLA E NA EDUCAÇÃO?

Uma reflexão sobre a importância da arte nas escolas, sendo seu aprendizado um dos pilares da Educação.

A história da arte acompanha a história do homem em sua essência. Toda a forma de expressão que o homem conhece, seja em grupo ou seja individual, tem a ver com a arte. A expressão artística nos aproxima do indivíduo ou de um determinado grupo social, uma vez que através da arte, expõe-se o interior e a maneira de olhar-se a realidade à volta. Com isso, a exposição das crenças e dos valores ajudam a formar identidades. É através da arte que isto é possível, pois a arte é a expressão máxima do ser.

Mona Lisa, Leonardo da Vinci, 1503–1517

Não é possível separarmos a história do homem e a história da arte. O homem evoluiu e levou consigo considerações a serem exploradas por meios de expressão artísticas. A evolução do homem também se deve a esta necessidade de se expressar como indivíduo ou como grupo. A arte é a resposta e e reação do homem ao meio em que se vive, sendo assim torna-se um dos grande pilares que sustenta o entendimento do próprio homem.

O acesso à cultura e Educação tona a vida das pessoas mais simples, uma vez que o conhecimento as ajuda a entender o mundo à nossa volta, os fatos, a História e a realidade. Todas as ciências que permeiam o conhecimento do homem devem ser oferecidas como forma de educação, eis a importância de as escolas manterem um bom currículo – atualizado e revisado anualmente – para o ensino. A arte entra como matéria fundamental para fortificar o ensino e o conhecimento em outras áreas, uma vez que a arte pode ser relacionada com a ciência, com a psicologia, com a História e etc.

Nascimento de Vênus, Sandro Botticelli, 1484–1486

No Brasil, infelizmente, a arte é pouco divulgada, ensinada, promovida e aceita pela sociedade – com exceção dos estilos populares como Cinema e Música. A arte e a história da arte clássica é vista, no Brasil, como sendo algo da elite, altamente exclusiva. Isso porque a Educação no país falhou em ensinar nas escolas sobre a história da arte, fazendo disso uma faculdade exclusiva do conhecimento. O resultado é que a arte não faz parte do nosso conhecimento, sendo assim, fica excluída do nosso cotidiano, uma vez que não criamos o hábito de apreciar a arte. E como apreciar algo sobre o qual não entendemos? A arte passou e passa, ainda, a distância, nas escolas e no ensino. Hoje, vemos que o resultado é uma população que considera a arte como sendo algo para os privilegiados e para a elite.

Por causa da internet, a arte tem sido mais democratizada e se popularizou com rapidez nos últimos anos. A internet possibilitou acesso à arte e sua história, e ofereceu um maior entendimento sobre as suas características e influências na história da humanidade.

Os girassóis de Van Gogh (série), 1888.

Podemos afirmar que o advento da internet tem cumprido o papel do Estado, o de democratizar a arte. Um papel que é obrigatoriamente do sistema de ensino, mas que por ser falho, não é confiável. A importância de se trabalhar nas escolas para ensinar os pilares artísticos e as influências destes na sociedade e no modo em que vivemos torna-se urgente. As artes abrangem muito mais do que apenas conhecer a história. A arte é importante para conhecermos a nós mesmos e a nossa própria capacidade de evoluir de acordo com o que vivemos e captamos em sociedade. A própria comunicação é permeada com os conceitos artísticos. Toda a expressão através da linguagem, a linguagem visual, os sinais, os gráficos, as manifestações e expressões performáticas, a comunicação visual, tudo é feito a partir de um pilar que é a arte. Conhecer este pilar e conseguir posicioná-lo nos lugares certos ao longo da história, a fim de entender o próprio homem é um serviço que deveria ser oferecido com uma maior qualidade dentro das instituições de ensino.

A arte ajuda o homem a pensar e a se desenvolver. O conhecimento sobre a arte é primordial para o conhecimento sobre o mundo e sobre o homem.

Fonte: http://obviousmag.org

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As situações didáticas de Arte

Estimular a imaginação, despertar a sensibilidade, ampliar horizontes e deixar a criança experimentar são formas de ensinar a disciplina

Por: Rodrigo Ratier, Beatriz Santomauro, Amanda Polato
A artista plástica Maria de Fátima Junqueira Pereira dispõe desse recurso na Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista, onde leciona para o 2º ano. “Em recortes, pinturas ou colagens, os alunos inventam misturas, texturas e cores”, explica ela. Trocando experiências com os colegas e criando, eles percebem que há diversas maneiras de trabalhar os materiais.O conteúdo de Arte é dividido em quatro linguagens: artes visuais, música, dança e teatro, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais. Na prática, a primeira é priorizada e as demais perdem espaço por falta de tempo e de estrutura ou por deficiência na formação dos professores. Isso não significa que eles dominem o ensino da pintura, do desenho e da escultura, mas o fato de estarem mais presentes no dia a dia facilita a abordagem.

Para Rosa Iavelberg, diretora do Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo, o ambiente é determinante para a aprendizagem nessa área (veja as situações didáticas a seguir): “A sala de aula deve ter o clima de um ateliê para que se possa criar”.

Situações diáticas de Arte

 

1. Produção

O que é: Realização de atividades onde o aluno é chamado a criar, a produzir algum trabalho artístico. Seja desenhando, pintando, modelando, fotografando etc. As atividades de produção podem partir de propostas elaboradas pelo professor e podem se articular com a leitura de imagens.

Nesse caso é importante o professor escolher imagens cujas características despertem percepções específicas acerca de algum aspecto visual ou simbólico que se deseja trabalhar com os alunos.

Quando propor: Semanalmente.

O que a criança aprende: A reconhecer conteúdos e conceitos relativos a linguagem da arte.

2. Percurso de criação pessoalO que é: Espaço e tempo de experimentação e criação. Para isso devem ser deixados à disposição diversos materiais (pincéis, tintas, lápis, giz de cera, papéis, argila). Cada aluno pode escolher o modo como vai utilizá-los e se produzirá sozinho ou em grupo.

O educador orienta a criação, participando do processo com interferências pontuais, e observa no trabalho pronto as singularidades da produção e a familiaridade com o universo da arte. Quanto menor a autonomia da turma, maior a participação do professor no direcionamento das tarefas.

Quando propor: Semanalmente.

O que a criança aprende: A fazer um trabalho de autoria, imprimindo suas marcas subjetivas e expressando idéias e percepções (leia a Atividade Permanente “Ateliê na sala de aula”).

3. Interpretação de imagensO que é: Leitura de reproduções levadas para a sala de aula e de originais em exposições. É necessário criar situações de contato com a arte indicando o significado da pintura ou do desenho no contexto em que foram produzidos e incentivando a busca do sentido deles nos dias de hoje.

“As poéticas visuais devem ser colocadas como uma situação de aprendizagem por meio da resolução de problemas e da descoberta ao mesmo tempo”, explica Rosa Iavelberg. Isso significa promover uma leitura criativa dando informações sobre as imagens sem se antecipar às colocações da garotada – esse é o momento de pensar e sentir.

Quando propor: Durante todo o ano em classe e em visitas a exposições.

O que a criança aprende: A interpretar as obras conforme sua sensibilidade e seu conhecimento do assunto, percebendo que significados assumem para si e em diferentes culturas.

4. Fala, leitura e escrita sobre ArteO que é: Expressão de ideias diante de criações artísticas e com intermediação do educador por meio de discussões, leitura e produção escrita. Vale estimular o contato com textos de diversos gêneros, como biografias de artistas, críticas de arte e entrevistas com profissionais – o que pode ser feito em parceria com a disciplina de Língua Portuguesa.

Nas séries iniciais, a intenção é desenvolver a capacidade de escrita e leitura dos que começam a se alfabetizar e expandir o universo de interpretação de todos.

Quando propor: Durante o ano todo, sempre que forem programadas visitas a exposições, na leitura de imagens na sala de aula e em tarefas para a casa.

O que a criança aprende: A expressar idéias sobre a leitura da arte por escrito ou oralmente e, com isso, avaliar o que está produzindo.

 

Quer saber mais?

Escola de Aplicação da USP,
Av. da Universidade, 220, travessa 11, 05508-040, São Paulo, SP, tel. (11) 3091-3503
Marisa Szpigel
Rosa Iavelberg

BIBLIOGRAFIA
Coleção Mestres das Artes
, vários autores, 32 págs., Ed. Moderna.
Desenho Cultivado da Criança, Rosa Iavelberg, 112 págs., Ed. Zouk.
Para Gostar de Aprender Arte, Rosa Iavelberg, 128 págs., Ed. Artmed.

Fonte: Nova Escola

A arte ajuda a criar um ensino ativo

 

“A arte ajuda a criar um ensino ativo”, diz arte-educadora pioneira

Em entrevista, professora Ana Mae Barbosa critica os planos do governo federal de retirar a obrigatoriedade do ensino de arte do currículo escolar

Com 80 anos recém completos, Ana Mae Barbosa é uma das pioneiras no Brasil do estabelecimento de bases teóricas pedagógicas para o ensino de artes visuais na escola. Ela esteve em Porto Alegre em setembro (2016) participando do 25º encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Anpap). Na entrevista a seguir, a professora comenta a recente proposta do governo para reforma do currículo do Ensino Médio. Inicialmente, a medida provisória incluía a retirada de artes, educação física, filosofia e sociologia como disciplinas obrigatórias. Com a enxurrada de críticas, o governo recuou, mas avisou que voltará a discutir o caso na definição da Base Nacional Comum. Para Ana Mae, a proposta é um equívoco por negligenciar o papel da educação artística no desenvolvimento da inteligência:

 – É importante a obrigatoriedade de a escola oferecer essa disciplina. É para a escola que ela deve ser obrigatória.

O que a senhora pensa da proposta de reforma do Ensino Médio apresentada pelo governo, que previa o fim da obrigatoriedade das aulas de educação artística ou como educação física?
Educação física voltou graças ao Faustão, para você ver como é que são as coisas no Brasil. É melhor nomear logo um famoso da televisão para ministro da Educação. Agora, há um problema muito sério nas artes: elas existem desde os tempos das cavernas aos dias de hoje, e os governos são sempre contra. Sempre acham que é um babado cultural, que não tem importância, isso governos de esquerda ou de direita. É raríssimo que um governo ou um deputado, um senador, valorize a arte.

E os governos do Brasil não dão importância à arte na escola?
No Brasil, só houve três casos em que a arte teve a mesma importância que as demais disciplinas. No projeto do Ruy Barbosa, em 1882 e 1883, de ensino primário e ensino secundário; no projeto do Fernando de Azevedo para a reforma educacional, entre 1927 e 1930; e quando Paulo Freire foi secretário de Educação da prefeitura de São Paulo. O resto sempre tentou tirar do currículo. Há um pesquisador da Califórnia, James Catterall, que compila dados de outras pesquisas. Ele fez um trabalho acerca da importância da arte para o desenvolvimento da inteligência, essa medida pelo teste de QI, que é questionável porque não mede toda a extensão da inteligência, apenas os fatores racionais. E mesmo para esse QI a arte é importante. Ele detectou 25 pesquisas cujos resultados comprovam que o teatro desenvolve o QI. Encontrou os mesmos resultados para música e artes.

E como, especificamente, a arte desenvolve a inteligência?
Em primeiro lugar, ali não tem certo e errado, tem mais e menos adequado. Em segundo: estimula o racional e o afetivo, especialmente na adolescência. Garotas e garotos de 15, 16, 17 anos, onde vão fazer a sua formação emocional? Com a arte. Não tem outra área na escola que desenvolva a capacidade emocional das pessoas dessa forma. Outra coisa: percepção visual. Como a minha área é de artes visuais, tenho estudado muito o desenvolvimento da percepção visual, que é importante desde a alfabetização até a inserção no mundo. É importante você perceber o mundo ao redor, ser capaz de desenvolver a capacidade crítica para analisar esse mundo e dar respostas criadoras às necessidades e às críticas que você faz. São três funções fundamentais que são incrementadas pelo ensino da arte: percepção, capacidade crítica e resposta criadora.

São questões além do conteúdo.
Nos EUA, James Caterall fez essa pesquisa para provar que a arte desenvolve a capacidade racional medida pelo teste de QI. Porque descobriram que durante 10 anos os alunos de Ensino Médio que tiraram os primeiros lugares no SAT, o equivalente ao Enem deles, foram os que tiveram arte no currículo do Ensino Médio. Esse foi o argumento mais importante nos EUA em defesa do ensino da arte, porque também lá ocorreu isso, os políticos atrelarem a educação à economia, então quererem fazer economia com a educação pública. E aqui querem, como sempre, importar minimizando. É como se pensassem: o Brasil é pobre, então vamos importar só metade do modelo. Nos EUA, os alunos do Ensino Médio têm uma cartela de disciplinas e escolhem umas quatro ou cinco a cada semestre, na Inglaterra também, com arte sempre à disposição.

Mas não é essa, em tese, a proposta feita?
Arte não é obrigatória nesse modelo. É importante que seja, para que a disciplina esteja no currículo para escolha do aluno. Eu não sou contra ter um grande número de disciplinas e os alunos escolherem de acordo com os seus interesses. Mas é importante a obrigatoriedade de a escola oferecer essa disciplina. É para a escola que ela deve ser obrigatória.

Mas como coordenar o tempo do estudante com um número cada vez maior de conhecimentos que se pede da escola?
Não conheço país desenvolvido sem turno integral, o aluno chega às 9h30min e sai às 17h. É um absurdo que às 7h30min, às vezes no frio, se jogue a criança na rua para ir à aula. Nove da manhã às cinco da tarde é o horário ideal. E a arte ajuda a criar um ensino ativo. Você nem precisa de grandes espaços, pode trabalhar no pátio. Quanto mais ativa, mais participativa, quanto mais mexer com o corpo, melhor. O teatro na escola seria fundamental para a formação de qualquer pessoa, qualquer profissional. Há pouco tempo, em abril, os senadores aprovaram a obrigatoriedade do teatro, da dança, da música e das artes visuais na escola. E de repente, do Ensino Médio, se retira essa área fundamental para a formação da capacidade de se comunicar. Acho isso tudo de um primarismo e de um desconhecimento brutais.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br

Entenda qual é o papel da arte na educação

 

 

Assim como a educação geral e plena do indivíduo, a educação em arte acontece na sociedade de duas formas:

  • Assistematicamente através dos meios de comunicação de massa e das manifestações não institucionalizadas da cultura, como as relacionadas ao folclore (entendido como manifestação viva e em mutação, não limitada apenas à preservação de tradições);
  • e sistematicamente na escola ou em outras instituições de ensino.

Somente a arte desenvolve certas áreas do conhecimento, como a percepção visual e auditiva, a expressão corporal, a intuição, o pensamento analógico, concreto e holístico e a reflexão. Isso acontece no momento em que são exercidas essas práticas artísticas .

Através de pesquisas, em 1970, Dr. Roger Sperry ganhou um prêmio Nobel sobre a lateralidade cerebral. Ele demonstrou que cada hemisfério do cérebro processa de uma forma especial esses estímulos.

Diversos outros cientistas nos anos seguintes, seguindo o caminho que o Dr. Sperry abriu, aprofundaram suas pesquisas, até o momento em que um deles desenvolveu a Teoria das Múltiplas Inteligências, por Howard Gardner.

Ele mostrou que o cérebro lida com inteligências diversas, trabalhando em Harvard University, no Project Zero. O lado esquerdo do cérebro contém as inteligências lógicas e lingüísticas, ou seja, o Q.I. O lado direito contém as inteligências visual, musical e corporal – as inteligências artísticas – e as inteligências inter pessoal e intra pessoal, que Dr. Daniel Goleman posteriormente chamou de Q.E., o quociente emocional.

Objetivo

A arte tem um objetivo maior que a formação de profissionais dedicados a esta área de conhecimento: no âmbito da escola regular, busca oferecer, aos indivíduos, condições para que ele compreenda o que ocorre nos planos da expressão e do significado ao interagir com as artes, permitindo, dessa forma, sua inserção social de maneira mais ampla. Nesse sentido, os museus são uma ferramenta muito útil para a observação de uma forma mais condensada e intensa de diversas manifestações artísticas – sejam elas da contemporaneidade ou não.

Fontes: Arte Ref

Ilustrações by Diego Riselli

O famoso designer Massimo Vignelli já dizia que “estilos vêm e vão”. Não é raro vermos estilos muitos famosos décadas atrás voltando com uma nova roupagem, até mesmo como tendência atual.

O ilustrador freelancer e também italiano Diego Riselli captou bem essa verdade ao criar belas ilustrações revivendo um estilo igualmente belo.

As ilustrações que mostram personagens conhecidos como Homem-Aranha, Mulher Maravilha e Darth Vader são criadas com traços bastante característicos e com o proposital uso de poucas cores.

Fonte: DesigNerd

Ilustrações by Ramon Nuñes

Muitos personagens da TV, cinema ou até mesmo de jogos de vídeo games são icônicos e inconfundíveis. Quem não lembra, por exemplo, do Ryu, de Street Fighter, da Eleven de Stranger Things ou do inesquecível Wolverine?

O ilustrador Ramón Nuñez nos mostra um pouco de seus desenhos em homenagem a tais personagens. Seus traços são bem interessantes e lembram o estilo cartoon de Randy Bishop

Fonte: DesigNerd